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Perícia sobre morte de Goulart é inconclusiva



Os resultados de uma perícia com o ex-presidente do Brasil, João Goulart, deposto em um golpe militar em 31 de março de 1964, foram divulgados no dia 1 de dezembro pela Comissão Nacional da Verdade. A comissão é uma iniciativa do governo brasileiro que tem como objetivo investigar possíveis violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988.

Não foram encontradas substâncias que poderiam indicar envenenamento—hipótese levantada recentemente pela família de Goulart. Os exames, por outro lado, não revelararam sintomas de morte natural. A versão oficial diz que o ex-presidente sofreu um ataque cardíaco em 1976 durante seu exílio em Mercedes, Argentina.

Os peritos responsáveis pelos exames disseram em entrevista coletiva que ambas as possibilidades são factíveis, mas como a perícia foi realizada quatro décadas após a morte do ex-presidente, o corpo teria sofrido mudanças que inviabilizariam conclusões sobre a causa da morte.

“Um infarto agudo […] pode ter sido a causa de morte […] assim como está registrado no certificado de óbito? Sim. Como poderia ter sido causada por outras patologias cardíacas ou até mesmo por patologias cerebrovasculares […] Inobstante a negativa dos resultados, não é possível negar […] um envenenamento,” afirmou o perito da Polícia Federal Jeferson  Evangelista Corrêa.

Os exames foram realizados por três laboratórios: um no Brasil, outro na Espanha e um terceiro em Portugal com base na exumação realizada no corpo de Gourlart, em 2013. Foram testadas aproximadamente 700 mil substâncias.

Membros da família do ex-presidente Goulart pediram a continuidade das investigações, apesar dos resultados. “Não pode pairar sobre um ex-presidente qualquer dúvida sobre o que ocorreu. Temos um laudo que diz que ele não faleceu de forma natural, mas não se pode provar que existiu substância que o teria levado a morte. Vamos continuar lutando,” disse João Vicente Goulart, filho do ex-presidente, em entrevista à Rádio Gaúcha de Porto Alegre.

João Vicente Goulart quer que as autoridades brasileiras, como o Ministério Público Federal, busquem acesso a documentos dos Estados Unidos e a tomada de depoimentos de intregrados da agência central de inteligência (CIA), que teriam se envolvido na perseguição e assassinatos de líderes políticos opositores na América Latina na chamada “Operação Condor.”

Consultado pelo blog Americas Quarterly no ano passado, o escritor Juremir Machado da Silva, colunista do jornal Correio do Povo e autor do livro Jango: Vida e Morte no Exílio pode prever o resultado da exumação. “As possibilidades da exumação mudar a história são mínimas e a família quer a mitificação de João Goulart ao mesmo tempo em que a comissão quer(ia) um grande fato”, disse Machado da Silva ao defender a exumação.

A Secretaria Nacional de Direitos Humanos do Brasil, órgão oficial responsável pela Comissão Nacional da Verdade, aceitou o pedido da família Goulart para que não fossem divulgadas fotos dos restos mortais.

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