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AQ Feature

Falha no sistema: Por trás da ascensão de Jair Bolsonaro

Como um apologista da tortura e da ditadura se tornou um sério candidato à presidência do Brasil?
bolsonaro
Ueslei Marcelino

Este artigo foi adaptado da matéria impressa da AQ sobre transparência e as eleições de 2018.

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Era uma manhã ensolarada de terça-feira no Rio de Janeiro e Flávio Bolsonaro, filho do candidato presidencial ultraconservador do Brasil, explicava pacientemente quando a tortura é aceitável.

“Eu vou te dar um exemplo”, disse ele. “Tenho duas filhas pequenas, de cinco e três anos. Se um criminoso sequestra minha filha e começa a mandar para a minha casa um ouvido, ou um pedaço de dedo, e a polícia pega um dos criminosos daquela gangue de sequestradores. Se ele não disser onde ela está sendo mantida — eu sou voluntario para torturar esse cara!”

“Não sou a favor da tortura como política de Estado, mas em determinadas situações, qualquer ser humano...”, disse, sem concluir a frase. “Você pesa o que é mais importante em sua vida: sua filha ou o direito da pessoa de permanecer em silêncio? Você me entende?”

Esse é um exemplo típico da estratégia dos Bolsonaros: uma visão sombria e apocalíptica da lei e da ordem. Um reconhecimento, possivelmente sincero, das convenções democráticas (“Não sou a favor da tortura, mas ...”), mesclado a uma mensagem simples e fácil de entender que, em um país que conta com 19 das 50 cidades mais violentas do mundo, leva inclusive alguns brasileiros moderados a dizer: sabe de uma coisa? Ele pode estar certo!

É uma mensagem que horroriza não só os defensores dos direitos humanos e da democracia, mas também aqueles que acreditam que existem formas mais eficazes (e legais) de combater o crime. A estratégia, porém, ajudou a tornar os Bolsonaros a família mais bem-sucedida da política brasileira em um momento em que grande parte da América Latina e do mundo vive uma explosão de fervor nacionalista e de revolta contra os governantes no poder.

Flávio, 36, é deputado estadual do Rio. Carlos, 35, é vereador da capital carioca. Eduardo, 33, é deputado federal representando São Paulo. Mas o protagonista da história política mais importante da família é da geração anterior: Jair, um capitão do exército aposentado de 62 anos e deputado federal. Há apenas dois anos, ele era amplamente descartado como uma piada vexatória de ódio e intolerância, mas hoje Jair é um dos principais candidatos à presidência brasileira. As pesquisas para as eleições de outubro o colocam em segundo lugar, com cerca de 20% dos votos — o que seria suficiente para levá-lo a um segundo turno em um campo fragmentado e ainda indefinido. Entre os eleitores mais ricos e de nível de educação mais alto do país, Bolsonaro é — acredite se quiser — o candidato preferido por uma margem saudável, mostram as pesquisas. E os eleitores entre 18 a 25 anos são sua principal base de apoio.

Os filhos de Bolsonaro, Eduardo, Flávio e Carlos, da esquerda à direita, também são políticos.

Nos últimos meses de 2017, passei inúmeras horas entrevistando os Bolsonaros e seus apoiadores, numa tentativa de entender melhor a surpreendente ascensão da família e as principais forças que tornaram isso possível. Ao fazê-lo, tenho certeza de que vou ser acusado de “normalizar” seus pontos de vista por aqueles que insistem que a mídia não deve “oferecer uma plataforma” às vozes mais intolerantes da política. A esse argumento, eu respondo: Como isso funcionou com Donald Trump? Foi somente após a eleição de 2016 que os liberais americanos foram atrás de livros como Hillbilly Elegy para entender os dramas vividos pelas comunidades interioranas do país em regiões economicamente desfavorecidas como Appalachia, o Rust Belt e outras áreas problemáticas que foram chave para a vitória dos conservadores. Para aqueles que estão ansiosos por entender a versão brasileira desse fenômeno hoje, antes que os votos sejam depositados nas urnas, sejam bem-vindos. Esta história é para vocês.

O que eu descobri? A hipótese mais óbvia, de que Bolsonaro faz parte de uma tendência global que produziu a vitória de Trump, do Brexit e de outros nacionalistas de direita como o Sebastian Kurz, na Áustria, é verdadeira em muitos aspectos — mas uma explicação insuficiente em outros. De fato, os Bolsonaros são, acima de tudo, um fenômeno brasileiro que resultou não só de uma das crises econômicas, institucionais e criminais mais graves da história do país desde 2014, mas também dos sucessos da década anterior. E sob o risco de entregar o fim deste artigo, terminei minha investigação com uma conclusão acima de tudo:

Jair Bolsonaro pode acabar vencendo. Não há dúvida de que ele poderia ganhar.

Rebeldia atraente

Para seus seguidores, grande parte do poder de atração de Jair Bolsonaro reside em suas origens: católico, de uma cidade pequena e da classe trabalhadora, com uma abordagem consistentemente rebelde às regras e ao decoro. “Jair tem a cabeça do brasileiro médio”, diz Rodrigo Sias, economista do Rio que é próximo à família, “e as pessoas adoram isso”.

Nascido em 1955 no interior do estado de São Paulo, seus pais originalmente queriam chamá-lo de Messias. Mas um vizinho sugeriu “Jair” para homenagear o meio-campista da seleção brasileira. Então, Messias se tornou seu segundo nome. O pai de Jair trabalhava como dentista sem nunca ter tido treinamento profissional, algo comum naquela época, mas também ilegal. A família se mudou várias vezes em busca de um lugar em que ele pudesse trabalhar em paz, antes de finalmente se estabelecer em Eldorado Paulista, cidade produtora de banana na mata Atlântica. Ocasionalmente, tiroteios na praça da cidade forçavam Jair e seus cinco irmãos a se refugiarem em baixo da cama dos pais.

Bolsonaro visita a Feira Internacional de Defesa e Segurança no Rio de Janeiro.

Quando a ditadura do país, iniciada em 1964, chegava ao fim nos anos 80, Bolsonaro ingressou na Brigada de Infantaria Paraquedista do Rio de Janeiro e, aos poucos, subiu nas fileiras. Seu comandante o descreveu como um homem de “ambição financeira excessiva [... ] sem lógica, racionalidade e equilíbrio”. Em 1986, enquanto ainda estava no exército, Bolsonaro escreveu uma coluna para a revista Veja, que denunciava os baixos salários dos militares. O artigo levou Bolsonaro a uma prisão militar por 15 dias por insubordinação. Mas também lançou sua carreira política. Ao se estabelecer como um defensor dos militares de baixo escalão durante os primeiros tempos caóticos e hiperinflacionários do governo civil, ele foi eleito vereador do Rio e, mais tarde, deputado, em 1991.

Em pouco tempo, Bolsonaro começou a aparecer nas manchetes com sua retórica incendiária: ataques às minorias, nostalgia em relação à ditadura e a menção, em 1999, de que o presidente Fernando Henrique Cardoso deveria ser fuzilado por privatizar ativos estatais (veja uma lista parcial abaixo). Mas na época ele estava tão distante do poder real, em um Congresso que também incluía um palhaço profissional e vários legisladores acusados de sequestro e até mesmo assassinato, que poucos prestaram muita atenção. “Ele dizia coisas terríveis”, diz Ignacio Cano, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e crítico frequente de Bolsonaro, “mas ele era marginal e praticamente considerado inofensivo”.

No entanto, em retrospectiva, Bolsonaro estava construindo uma base de brasileiros conservadores que se sentiam ignorados — ou malvistos — pelas esferas do poder pós-ditadura. “Era ridículo. Os políticos agiam como se a direita não existisse”, diz Beatriz Kicis, uma defensora proeminente de Bolsonaro. Os anos 2000 e início da década de 2010, sob o comando do Partido dos Trabalhadores, foram um período próspero para o Brasil, mas também foram palco de uma grande expansão do governo, um aumento da criminalidade e de escândalos de corrupção. Nesse clima, os discursos de Bolsonaro lhe renderam admiradores, de uma forma muito parecida a como a estratégia de Trump de mentir sobre a nacionalidade do Barack Obama atraiu a atenção dos conservadores americanos. “É uma revolta legítima contra aqueles que controlam a mídia, a política e a cultura”, diz Rodrigo Constantino, colunista da Veja.

Mesmo assim, isso não é suficiente para explicar completamente como Bolsonaro chegou tão perto de se eleger presidente. Para desvendar esse enigma, é preciso ir a Brasília.

Negócios de família

Em setembro, passei duas horas no escritório que Bolsonaro compartilha com o filho e deputado, Eduardo. Apertado, decorado de forma escassa e protegido do sol fulminante de Brasília por uma rala cortina, o lugar, à primeira vista,  parecia igual a outro qualquer. Mas os sinais estavam lá.

Primeiro, perto da porta: uma placa proclamando “Eu apoio a Lava-Jato”, uma referência à investigação da petrolífera estatal Petrobras que revelou o desvio de mais de US$ 5 bilhões — o maior escândalo de corrupção do Brasil. Perto dali, uma referência ao juiz federal que supervisiona o caso, uma faixa nas cores da bandeira brasileira com os dizeres: “Fé em Moro, fé em Bolsonaro, fé no Brasil”.

A Lava-Jato, que contribuiu para o impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016 e levou inúmeros outros poderosos políticos e magnatas à prisão, permanece imensamente popular entre a opinião pública brasileira, apesar de alguns contratempos recentes. Em uma pesquisa de outubro, 94 por cento dos entrevistados concordaram que a investigação deveria “continuar até o fim, seja qual for o custo”. Em outras pesquisas, a corrupção aparece frequentemente como a principal preocupação dos eleitores, mesmo quando o desemprego ultrapassa os 12% e o sistema nacional de saúde está em colapso.

Quando Dilma foi expulsa, terminando 14 anos de governo do Partido dos Trabalhadores, muitos brasileiros esperavam que finalmente houvesse uma limpeza política. Mas seu substituto, o presidente Michel Temer, acusado de extorsão e obstrução da Justiça (o que ele nega), escapou por pouco do impeachment, e hoje tem índices de aprovação de apenas 5%. Um dos primeiros assessores da Temer foi preso depois que a polícia encontrou malas com US$ 16 milhões em dinheiro em um apartamento que ele usava; outros aliados foram flagrados em gravações articulando para sabotar a Lava-Jato. Um dos únicos políticos proeminentes do país a não ser implicado é... você adivinhou. Nas pesquisas do ano passado, a ascensão de Bolsonaro quase coincidiu de forma exata com o declínio de Temer. “Nós sabemos hoje que ele é a nossa única esperança de um governo limpo”, disse João Pereira da Silva, estudante que esperava há quatro horas do lado de fora do escritório do Congresso pela oportunidade de ver o ídolo. “Todo o resto aqui é lixo.”

(Nota do editor: depois que este exemplar foi para impressão, o jornal brasileiro Folha de S. Paulo publicou uma investigação alegando que Bolsonaro e seus três filhos acumularam propriedades no valor de pelo menos $4.5 milhões nos últimos anos. Bolsonaro nega qualquer delito. O efeito politico da revelação não é claro.)

Naquela mesma tarde, assisti a um dos assessores de Bolsonaro editando um vídeo para as redes sociais, com o candidato em frente a uma bandeira brasileira.

“Hitler?”

“Mussolini?”

“Eles o chamam de tudo, menos de CORRUPTO.”

De fato, o uso das redes sociais pelos Bolsonaros é o outro ingrediente crucial para seu sucesso. Bolsonaro agora tem 4,8 milhões de seguidores no Facebook, 1,7 milhão a mais que qualquer outro candidato presidencial e oito vezes mais que Temer. Os vídeos o mostram sorrindo e cercado de fãs, a maioria jovens; O tom é desafiador contra o sistema, mas inclusivo e carregado de patriotismo. Durante as duas horas que passei naquele escritório, os oito assessores de Bolsonaro pareciam estar trabalhando em redes sociais ou outros meios de divulgação— grupos de WhatsApp, Twitter, comunicados de imprensa e assim por diante. Os críticos dizem que os Bolsonaros fazem pouco trabalho legislativo de fato; mas em um Congresso que atingiu recentemente um índice de aprovação de 5%, um mínimo histórico, isso pode ser visto como um emblema de honra.

Nessas plataformas e em seus discursos, Bolsonaro vincula a corrupção com o aumento da violência nas ruas, sob um amplo guarda-chuva do Estado de Direito. É uma mensagem que ressoa em um país com mais de 60.000 homicídios por ano e uma economia que vem encolhendo 10 por cento em uma base per capita desde 2014. “Ele diz aos jovens: ‘Você vai ter emprego comigo, uma arma comigo, vai poder andar nas ruas à noite’”, diz Priscila Pereira Pinto, que dirige um grupo de pesquisa pró-empresas no Rio de Janeiro. “Os jovens adoram. Ele faz parecer simples.”

Em meio a essas promessas, seus seguidores parecem dispostos a ignorar os pecados passados do candidato. Pereira, que viveu durante anos em Nova York e expressa dúvidas sobre Bolsonaro, o considera, no entanto “hilário”. Sias, o economista, diz que suas declarações polêmicas são, em grande parte, “piadas ruins”, que não devem ser interpretadas ao pé da letra. Outros adoram Bolsonaro por atacar o que eles descrevem como uma cultura hipersensível e obcecada pelos direitos que o Partido dos Trabalhadores os forçou a engolir. Kicis, promotora aposentada de Brasília, enumerou queixas que vão da “ideologia de gênero” à “pedofilia legalizada” antes de afirmar que “não há racismo no Brasil”. Discutimos isso por um bom tempo até que ela finalmente levantou as mãos para o alto, dizendo: “Você está vendo? O Jair não vai tentar legislar sobre como as pessoas se sentem!”

Quando eu me preparava para sair do escritório dos Bolsonaros, um estudante de 20 anos apareceu à porta e pediu panfletos para distribuir em sua escola. “Não consigo estudar os filósofos cristãos, porque os esquerdistas que controlam minha universidade não me deixam.”

“Legal, cara”, disse Eduardo Guimarães, assessor de imprensa. Ao ver o jovem sair, ele sorriu. “Lá vai outro eleitor feliz.”

Controle de danos

Com sua base aparentemente garantida, Bolsonaro tenta atrair os eleitores mais moderados de que precisará para vencer um segundo turno em outubro. Não está claro se ele terá sucesso. Uma pesquisa de dezembro mostrou que ele tem o segundo maior índice de rejeição entre qualquer outro candidato, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores. As mulheres constituíram apenas 36% dos que apoiam Bolsonaro, mostrou a pesquisa. “Ele é asqueroso”, diz Marta Rondon, vendedora de seguros do Rio. “Não acredito que existam homens suficientes no Brasil para elegê-lo presidente.”

À medida que os rivais de Bolsonaro começam a levá-lo mais a sério, eles passam a fazer mais ataques. Robson Dias, ex-comandante da polícia do Rio, disse-me que suas propostas para ampliar o direito à posse de armas e dar à polícia “carta branca” para matar suspeitos de crimes “apenas levaria o país a um fratricídio ainda maior”. Sérgio Moro, o juiz altamente popular que supervisiona a Lava-Jato, emitiu várias advertências recentes sobre o frágil estado da democracia brasileira. Segundo pessoas próximas, esses alertas são inspirados, pelo menos em parte, pela ascensão de Bolsonaro.

Em resposta, a família insiste que respeita as instituições democráticas e as minorias. “Ele não é contra os gays ... ele é contra a agenda LGBT”, diz Flávio Bolsonaro, citando a polêmica em relação a uma exibição de arte recente com temas homossexuais em São Paulo. Ele diz que seu pai pressiona por reformas que deem maior liberdade à polícia para operar, além de sentenças de prisão mais duras. Quando expressei preocupação com a superlotação — a população carcerária brasileira aumentou 160 por cento desde 2000, enquanto apenas algumas novas prisões foram abertas. Flávio deu de ombros. “Eles vão caber, só precisa apertar um pouco mais. Eles vão caber.”

Ao mesmo tempo, a família empreendeu uma campanha para atrair a comunidade empresarial, incluindo os investidores estrangeiros. Em uma reunião de outubro no Conselho das Américas, uma das organizações que publica a AQ, em Nova York, Jair Bolsonaro delineou uma visão básica para um Estado com menos tentáculos, com privatizações e impostos mais baixos. (O evento não foi aberto ao público, mas uma gravação de áudio foi vazada para a imprensa brasileira.) A agenda contrastava com as declarações passadas de Bolsonaro —afinal de contas, ele uma vez sugeriu que um presidente fosse fuzilado por promover privatizações — mas o candidato afirmou que sua visão evoluiu. “Não sou economista”, disse mais de uma vez, prometendo nomear uma forte equipe de conselheiros.

Inevitavelmente, ele foi questionado sobre controvérsias passadas, incluindo sua declaração de 2003 a uma deputada: “Eu não vou te estuprar porque você não merece.” Bolsonaro explicou com calma que a deputada o insultou primeiro, mas também expressou um certo grau de arrependimento. “Eu passei do limite”, disse. “Às vezes eu me perco com as palavras e peço desculpas.” Essa não é bem a verdade. Bolsonaro vem se gabando da declaração há anos, e até mesmo a repetiu no piso do Congresso em 2014, o que o levou a ser censurado e a uma multa de US$ 3.000. Mas em um mundo em que ultrajes são efêmeros, no qual um vídeo no programa Access Hollywood em que Trump declarava que podia “agarrar [as mulheres] pela...”  pode ser esquecido em duas semanas, eu me pergunto se um pequeno ato contrição poderia ser suficiente.

Esse Bolsonaro mais moderado e conciliador manteve a linha quando eu o entrevistei por cerca de 20 minutos depois. Quando perguntei sobre suas ameaças anteriores de fechar o Congresso, ele as descartou como “força de expressão” e disse que não permitiria isso na prática. Ele prometeu um comércio exterior mais aberto. “Não dá para ficarmos fechados como a Coreia do Norte” — e afirmou que estava “preocupado” com o desmatamento da Amazônia. Sua declaração mais severa foi reservada para os recentes escândalos, chamando Temer de “um dos pais da corrupção” e criticando seus colegas no Congresso por “fechar os olhos [...] em nome da governabilidade”.

Bolsonaro falou com o editor-chefe da AQ, Brian Winter, em outubro.

No fim do ano, alguns líderes empresariais anteriormente céticos, no Brasil e no exterior, começavam a se aproximar. Um descreveu Bolsonaro como uma “defesa de último recurso” se Lula não for impedido de se candidatar por seus problemas legais e continuar liderando as pesquisas em meados de 2018. A mensagem da lei e da ordem de Bolsonaro também mostra sinais de ressoar no Nordeste empobrecido, a base tradicional de Lula, mas que também registra os maiores aumentos nas taxas de homicídios dos últimos dez anos. Uma nova pesquisa mostrou que os militares agora são, de longe, a instituição mais respeitada do Brasil. O nível de satisfação com a democracia é o mais baixo entre qualquer outro país da América Latina.

Ao sair do Brasil em setembro, tive uma ótima conversa com o motorista do meu Uber — sobre futebol, a cultura de praia do Rio e o jazz. Falamos também sobre negócios, e ele me disse que o dinheiro que levava para casa caiu 40%. Ele perdeu acesso a vastas regiões da cidade por causa de tiroteios e roubos. “Você vê essa decadência, essa crise moral, esses políticos que roubam e não fazem nada por nós”, disse ele, balançando a cabeça de um lado ao outro. “Eu estou pensando em votar em alguém completamente novo.”

“Quem?”, perguntei.

Ele me olhou pelo espelho retrovisor e sorriu. “Você já ouviu falar de Jair Bolsonaro?”

ABOUT THE AUTHOR
Brian Winter is editor-in-chief of Americas Quarterly magazine and the vice president for policy at Americas Society/Council of the Americas. A best-selling author and columnist, Brian is a leading expert on Latin America and a frequent speaker for international media and events.
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